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Rede de escolas no RJ afasta professores após denúncias de assédio na web

Publicado dia 23/08/2018 às 15h14min
Hashtag #AssedioÉHabitoNoPensi ficou entre as mais comentadas no Twitter na sexta-feira (17). Denúncias se estenderam para outras redes de ensino na cidade.

Alunas de colégio particular se mobilizaram nas redes sociais contra o assédio (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

 

Professores de uma rede particular de ensino no Rio de Janeiro foram afastados depois que uma campanha de alunos contra o assédio ganhou destaque nas redes sociais.

Na sexta-feira (17), a hashtag #AssedioÉHabitoNoPensi havia alcançado mais de 35 mil postagens no Twitter. Segundo a assessoria do colégio, os profissionais de Educação foram afastados de forma "cautelosa, preventiva e temporária" e foi aberto um canal de denúncias anônimas para relatos de assédio e discriminação.

A Polícia Civil informou que, por enquanto, não há nenhum registro de ocorrência que envolva docentes da rede de colégios.

Em nota, a rede de ensino, que tem 21 unidades na cidade do Rio, disse que "instaurou um comitê de ética formado majoritariamente por mulheres" e composto por agentes externos para "apuração dos fatos e implementação de ações rigorosas para banir casos de assédio e discriminação".

A nota diz ainda que o processo de avaliação das denúncias será contínuo e que "toda denúncia está sendo avaliada individualmente e cada caso está sendo tratado com a responsabilidade e seriedade que a situação exige. Série de medidas está sendo implementada, nos casos pertinentes, que vão desde afastamentos cautelares até advertências e demissões.

A maior parte das mensagens não cita nomes e é feita por alunos e ex-alunos da instituição. "Professor de Educação Física que gravou aluna fazendo agachamento já foi demitido ou só saiu da unidade mesmo????? #AssedioÉHabitoNoPensi", diz uma postagem.

Outra mensagem detalha o assédio sofrido por uma aluna.

 

"Ele passava a mão nas meninas, ficava tentando ver através do decote na camisa, fazia chacota quando dava pra ver a cor do sutiã ... e coisas às vezes bem piores", diz postagem em conta no Twitter.

 

Na segunda-feira (20), alunos de unidades da rede de ensino organizaram protestos vestidos de vermelho ou com adereços da mesma cor.

Nas redes sociais, várias postagens começaram a citar o assédio como um problema em outros colégios e mensagens sobre a mobilização usavam a hashtag #SegundaVermelha.

 
 
Postagens sobre a mobilização usavam a hashtag #SegundaVermelha (Foto: Reprodução/ Redes sociais)Postagens sobre a mobilização usavam a hashtag #SegundaVermelha (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

Postagens sobre a mobilização usavam a hashtag #SegundaVermelha (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

 
Estudantes se reuniram em protesto contra assédio em rede de ensino (Foto: Reprodução/ Redes sociais)Estudantes se reuniram em protesto contra assédio em rede de ensino (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

Estudantes se reuniram em protesto contra assédio em rede de ensino (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

"O mais triste da tag #AssedioÉHabitoNoPensi é saber que isso se estende pra inúmeros colégios no Rio de Janeiro, com vários professores que são superconhecidos por dar em cima e se relacionar sexualmente com um monte de aluna", escreveu um usuário do Twitter.

"Esses fatos acontecem há um tempo, não só partindo de professores da Rede Pensi, como os professores de outras escolas particulares. Sem contar que o colégio faz uma avaliação dos alunos para os professores e podemos escrever de forma anônima. Escrevemos sobre o que aconteceu e ninguém da direção faz absolutamente nada, nem ir na sala para conversar", contou uma estudante.

 

Alunos também fizeram montagens com propagandas da rede de ensino como forma de criticar o assédio que dizem ter sofrido.

Denúncias de assédio

 

G1 conversou com uma aluna, que contou que se sentia perseguida por um professor. Ela disse que chegou a sair da escola e perder bolsa de estudos por conta de problemas envolvendo episódios de assédio.

 

"Fiquei muito assustada. Ele dizia que queria me levar pra casa, pra eu conhecer a casa dele. Ele me encurralou no corredor uma vez e me ameaçou, dizendo que ia me reprovar. Disse, na frente da turma toda, que eu seria domada por ele, queria me dar chocolate"

 

"Vários professores depois acobertaram a situação, então, tiraram minha bolsa e me reprovaram. Aí, eu saí da escola e nem entrei nesse assunto com a minha mãe. Não sabia como era importante expor esses casos, senão teria feito antes", acrescentou a jovem.

Uma ex-aluna da instituição, que também não quis se identificar, contou que os assédios foram o que a motivaram a sair da escola em 2015. Ela relatou que sofria assédio verbal e que houve um professor que questionou a capacidade intelectual dela na frente dos colegas.

"Um professor de Educação ísica me disse que se eu precisasse de nota, nós poderíamos dar uma saída para eu fazer umas 'coisinhas' pra ele. Estava rodeada pelos meus amigos e, na hora, ninguém entendeu direito o que estava acontecendo. Outro professor dizia não só pra mim, mas para outras alunas, que mulher é burra, não tem futuro, que tinha que ficar em casa mesmo. Um desrespeito."

 
 
Hashtag foi destaque no Twitter durante a sexta-feira (17) (Foto: Reprodução/ Redes sociais)Hashtag foi destaque no Twitter durante a sexta-feira (17) (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

Hashtag foi destaque no Twitter durante a sexta-feira (17) (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

Fonte: g1 brasil
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