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Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá saem em nova turnê da Legião

Publicado dia 01/08/2018 às 13h21min
Canções dos discos "Dois" e "Que país é este?" serão apresentadas em seis shows. A primeira apresentação será no dia 14 de setembro, em Santos.

Dado e Bonfá: prontos para a nova turnê. (Foto: Fernando Schlaepfer)

O ano era 1986 e Renato Russo estava muito preocupado. Estudioso dedicado da história do Rock, ele sabia quantas bandas, após um sucesso inicial, haviam naufragado no processo de criação e lançamento do segundo álbum – e isso o preocupava.

Um temor que o sucesso de "Dois" mostraria ser infundado – segundo disco da Legião Urbana, o álbum é considerado tanto por grande parte do público quanto por quase toda a crítica especializada como a obra-prima da banda.

Hoje, passadas três décadas, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá lembram com carinho os detalhes da gravação daquele álbum e também de seu sucessor ("Que país é este?", de 1987). E são as canções das duas obras que formarão o repertório da turnê comemorativa dos 30 anos de lançamento dos discos.

Os primeiros shows, ainda não oficiais, serão realizados nos dias 6 e 7 de setembro, no Faena Theater, em Miami, Estados Unidos. A partir do dia 14 de setembro, a turnê chegará em território nacional, em Santos, e se estenderá por mais cinco cidades brasileiras – veja as datas e locais no fim do texto.

Depois do grande sucesso do primeiro álbum – homônimo, lançado em fevereiro de 1985 –, era natural a existência de uma certa apreensão entre os integrantes da banda quanto à gravação do segundo trabalho. Essa sensação acabava potencializada pelo vocalista.

 

"O processo de gravação de 'Dois' começou com o Renato falando: 'A síndrome do segundo álbum. Se o artista não fizer o trabalho direito, poderá ser esquecido'. Havia esse medo nele, e um pouco em todos nós, de acabarmos trabalhando em algum escritório. E você sabe, a pessoas erram. Nós poderíamos ter errado a mão naquele momento e o álbum não ter acontecido. Naquele instante, fizemos algumas perguntas para nós mesmos: 'É isso mesmo que queremos fazer da vida? Viver como artistas, tocar, compor? Queremos mesmo isso?'. Quando as respostas a esses questionamentos chegaram, decidimos focar no trabalho e fazer o álbum acontecer. Seria fácil repetir a fórmula do primeiro disco, mas queríamos ir além, queríamos fazer um trabalho espetacular", relembrou Dado.

A princípio, "Dois" seria um álbum duplo cujo nome seria "Mitologia e intuição". No entanto, a falta de material para preencher tanto espaço e o delicado momento econômico que o Brasil vivia naquele momento – situação que tornava mais difícil para o consumidor a compra de um produto mais caro como um disco duplo – levou a banda mudar os planos e optar pelo formato simples.

Todo composto em estúdio, "Dois" traz, quase que em sequência, algumas das canções mais poderosas da história da banda: "Daniel na cova dos leões", "Quase sem querer", "Eduardo e Mônica", "Tempo perdido", "Andrea Doria", "Fábrica" e "Índios" – esta última, a princípio apenas um tema instrumental, ganhou letra escrita por Renato Russo nos momentos finais da mixagem do álbum.

"'Dois' é o momento no qual abrimos as nossas vísceras e expomos tudo que estávamos sentindo naquela época. Eu era muito jovem, havia saído de casa há pouco tempo, mas, naquele instante, já vivia uma vida muito desregrada. Eu me sentia muito frágil e esse sentimento aparece de maneira direta nas letras de canções como 'Andrea Doria', por exemplo", descreveu Bonfá.

 

Uma experiência bem diferente viria no ano seguinte, com o lançamento de "Que país é este?", álbum composto em grande parte por material do Aborto Elétrico, banda seminal do punk de Brasília liderada por Renato Russo e cujo desmembramento daria origem à própria Legião Urbana e também ao Capital Inicial.

"Era um momento no qual, por uma série de motivos, decidimos que poderíamos parar para respirar um pouco. Foi naquele instante que decidimos usar as músicas do Aborto Elétrico, que já ouvíamos desde os tempos de Brasília. Afinal, elas haviam sido escritas pelo Renato e ele queria mostrar de que maneira aquelas canções deveriam soar tocadas pela Legião", disse Bonfá.

Além da canção homônima, fazem parte do álbum "Conexão amazônica", "Tédio (com T bem grande pra você)", "Depois do começo", "Química", "Eu sei" e "Faroeste caboclo". Apenas "Angra dos Reis" e "Mais do mesmo", faixas que encerram o disco, foram compostas em estúdio.

Nos shows da turnê, as composições dos dois álbuns serão apresentadas de forma alternada e divididas em blocos. Os ensaios para as apresentações – que contarão com os vocais de André Frateschi, a guitarra e violão de Lucas Vasconcellos, os teclados e programações de Roberto Pollo e o baixo de Mauro Berman – já começaram.

 

A nova turnê encerra o ciclo de comemorações de lançamento dos três primeiros álbuns da banda. Em 2015, a tour “Legião Urbana XXX anos”, completou 100 apresentações mostrando o repertório do primeiro álbum do grupo para mais de 500 mil fãs em várias regiões do País.

"O sucesso daquela turnê foi impressionante e nos motivou a fazer essa nova série de shows", afirmou Dado.

O guitarrista não descarta a possibilidade de novas sequências de apresentações no futuro – uma para cada álbum do grupo. Portanto, pela ordem cronológica, o próximo trabalho revisitado seria o clássico "As quatro estações", de 1989, maior sucesso de vendas da história da banda, quando o grupo deixou de contar com a presença do baixista Renato Rocha, o Negrete.

"O único álbum para o qual não faremos turnês é 'A tempestade', de 1996. O disco é lindo, há belas canções ali, mas tudo nele é triste demais e isso está refletido nas letras. É o álbum de despedida do Renato. Ele partiu, mas o legado dele permanece. Melhor deixarmos assim", finalizou Dado.

 

SERVIÇO:

 

Data: 14/09 (estreia oficial)

Horário: abertura dos portões 21h, show 23h30

Local: Mendes Convention Center - Av. Gen. Francisco Glicério, 206 - Gonzaga - Santos/SP

Fonte: g1 brasil

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