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Gal Costa grava com Maria Bethânia e Marília Mendonça

Publicado dia 06/08/2018 às 11h41min
Gal Costa é cantora grande o suficiente para gravar com Marília Mendonça e com Maria Bethânia no mesmo disco

O álbum que Gal Costa lançou em 1990, Plural, sintetizou no título a diversidade que atravessa a voz cristalina dessa cantora baiana desde a estreia em disco, em 1965.

Embora seja uma intérprete identificada primordialmente com os compositores da MPB projetada na era dos festivais, na segunda metade da década de 1960, Gal aos poucos foi abrindo o leque estilístico do repertório, demolindo conceitos (construídos pela elite cultural) do que seja bom e mau gosto.

Tanto que, no fim da tarde de ontem, 5 de agosto de 2018, Gal se encontrou em estúdio da cidade de São Paulo (SP) com a cantora goiana Marília Mendonça, hitmaker do universo pop sertanejo. Na presença de Gal, Marília pôs voz em música inédita, Cuidando de longe, que enviou para o álbum, A pele do futuro, que a cantora baiana lança em 21 de setembro pela gravadora Biscoito Fino.

O dueto soa inusitado, mas não tanto para quem sabe que, em 1985, Gal foi a primeira cantora do panteão da MPB a dar voz a uma música, Um dia de domingo, da lavra popular da então emergente dupla de compositores hitmakers Michael Sullivan & Paulo Massadas. Os puristas da época minimizaram a beleza simples e sedutora da canção da dupla como certamente os defensores dos guardiões das tradições da MPB hão de fazer com a música composta por Marília para Gal. Tal como faziam nos anos 1960 com a obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, então reis da juventude vistos como plebeus alienados que invadiam e atacavam o território demarcado e defendido pelos nobres da música brasileira. E Gal gravou Roberto e Erasmo já em 1969.

 
Gal Costa (Foto: Reprodução / Instagram Gal Costa)Gal Costa (Foto: Reprodução / Instagram Gal Costa)

Gal Costa (Foto: Reprodução / Instagram Gal Costa)

 

Surda ao ladrar desses cães de guarda, Gal passará soberana por mais uma patrulha ideológica – como vem passando ao longo dos 53 anos de carreira fonográfica – pela própria natureza tropicalista e também porque a voz única, plural, lhe permite a grandeza de gravar com Maria Bethânia (Minha mãe, música feita por César Lacerda a partir de poema de Jorge Mautner) e com Marília Mendonça no mesmo disco.

Álbum produzido por Pupillo sob direção artística de Marcus Preto, A pele do futuro traz repertório pautado pela liberdade de agregar compositores de gerações e universos distintos no repertório. Alguns deles estarão, inclusive, unidos na mesma música, casos de Erasmo Carlos (contemporâneo de Gal) e do rapper Emicida, parceiros em Abre alas do verão.

Adriana Calcanhotto, Dani Black, Djavan (o samba Dentro da lei), Gilberto Gil (a balada Viagem passageira), Guilherme Arantes (Puro Sangue – O libelo do perdão), Hyldon, Moska (Cabelos e unhas, parceria com Breno Góes), Nando Reis (a canção Mãe de todas as vozes), Silva (Palavras no corpo, canção com letra do poeta Omar Salomão) e Tim Bernardes (o ijexá Realmente lindo) integram o diversificado time de compositores do álbum A pele do futuro, ao lado dos já mencionados César Lacerda, Jorge Mautner, Erasmo Carlos, Emicida e Marília Mendonça.

 
Marília Mendonça e Gal Costa (Foto: Divulgação / Carol Siqueira)Marília Mendonça e Gal Costa (Foto: Divulgação / Carol Siqueira)

Marília Mendonça e Gal Costa (Foto: Divulgação / Carol Siqueira)

 

Gal Costa é cantora grande o suficiente para irmanar todos estes compositores em uma só voz. A voz plural, mas única, dela própria, Maria da Graça Costa Penna Burgos. Gal, para o Brasil que é tanto de Gilberto Gil e de Djavan, ou de Emicida e de Tim Bernardes, quanto de Marília Mendonça e de Nando Reis.

Fonte: g1 brasil
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