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Falta de remédio em maternidade no AP deixa grávida com feto morto por seis dias

Publicado dia 06/02/2018 às 12h33min
Paciente, de 26 anos, deu entrada no hospital Mãe Luzia no dia 29 de janeiro e só teve o feto retirado no domingo (4).

O desespero fez com que um pai usasse uma rede social para pedir socorro. A filha de 26 anos do músico Elias Sampaio ficou seis dias internada no Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML), em Macapá, aguardando medicação para a retirada do feto após um aborto espontâneo. O remédio está em falta na rede pública e o governo do Amapáinformou que aguarda a distribuição pelo Ministério da Saúde.

Segundo Sampaio, a filha estava grávida de pouco mais de três meses e no dia 27 de janeiro começou a sentir dores e a sangrar. Ela foi levada para a maternidade, onde foi diagnosticado o aborto espontâneo.

A família aguardou os procedimentos necessários para a retirada do feto, mas foi informada que não havia no hospital o remédio para estimular o aborto: o misoprostol. O pai fez um apelo no Facebook, no sábado (3).

“Quero pedir ajuda a quem puder! Minha filha que estava grávida perdeu o bebê [...] Passados 6 dias ela ainda se encontra no hospital sem nenhuma evolução do quadro. Estão fazendo um procedimento abortivo. Contudo, o remédio que era necessário para o procedimento o hospital não tem, não tem previsão de compra, e o paciente não pode comprar, pois é uma medicação que só é adquirida e administrada legalmente por hospitais”, escreveu.

 
Elias Sampaio pediu ajuda pelo facebook (Foto: Facebook/Reprodução)Elias Sampaio pediu ajuda pelo facebook (Foto: Facebook/Reprodução)

Elias Sampaio pediu ajuda pelo facebook (Foto: Facebook/Reprodução)

De acordo com Sampaio, somente após a repercussão da publicação o hospital tomou medidas. No domingo (4) a paciente foi medicada às 18h com o abortivo e por volta da meia-noite conseguiu expelir o feto, em seguida foi feita a curetagem (procedimento de limpeza do útero). Ela deve receber alta nesta terça-feira (6), acredita a família.

Mas o hospital continua sem ter o remédio. A diretora-geral da maternidade, Nayra Barbosa, explica que o misoprostol é fornecido exclusivamente pelo Ministério da Saúde e que o estado aguarda o envio. Ela informou ainda que a Coordenadoria Nacional da Saúde da Mulher, que faz o envio da medicação aos estados, não fez licitação em 2017.

“A última foi em 2016, que supriu a demanda até setembro. Em dezembro foi autorizado aos estados fazerem a compra em caráter emergencial. Assim o fizemos, mas o processo ainda está em andamento. A medicação não tem no hospital e fazemos permuta com outras unidades, foi o caso dessa paciente”, relatou a diretora.

 
Médico Carlos Filho diz que paciente não estava desassistida (Foto: Jorge Abreu/G1)Médico Carlos Filho diz que paciente não estava desassistida (Foto: Jorge Abreu/G1)

Médico Carlos Filho diz que paciente não estava desassistida (Foto: Jorge Abreu/G1)

O médico Carlos Filho, que atendeu a jovem, reconhece não ser normal uma paciente ficar com o feto morto na barriga durante dias, mas afirma que ela estava recebendo cuidados, com monitoramento dos sinais vitais a cada seis horas, até a chegada do remédio, que foi adquirido em outro hospital da cidade.

“Não é normal a paciente ficar com bebê morto uma semana na barriga. Há risco de infecção a partir do momento em que o feto está morto. Mas ela não estava desassistida e estava tomando antibiótico. Esses casos são complicados, não podemos simplesmente remover o feto, pois pode acarretar um risco maior de infecção, é preciso que ela expulse, para que se faça os procedimentos necessários”, explicou.

A irmã de Elias Sampaio, que prefere ter o nome preservado, acompanhou a sobrinha durante a internação e diz que presenciou outras pacientes na mesma situação, aguardando a medicação.

“Tem uma grávida de 5 meses com o feto morto na barriga e ela está aguardando receber a medicação. A mãe dela está preocupada. A situação é de calamidade”, diz a tia, indignada.

Fonte: WRB NOTICIAS
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