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Tecnologia traz segurança e eficiência à mobilidade

Publicado dia 07/04/2018 às 16h14min
Inovação e busca de soluções aprimoram os sistemas de transporte urbano e as rodovias do Brasil

Os sistemas de mobilidade urbana dependem cada vez mais da tecnologia para transportar grandes populações com segurança e eficiência. Iniciativas adotadas em diversas localidades do Brasil mostram como a inovação e a busca de soluções tecnológicas trazem mais bem-estar aos usuários e aumentam a qualidade dos serviços prestados.

Atender à demanda por mais controle e mais informação em tempo real é um imperativo em todos os setores, e nos transportes não é diferente. Os sistemas de mobilidade se tornam cada vez mais complexos e digitais, aumentando a necessidade de novas tecnologias de robotização, Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT, sigla em inglês para "Internet of Things"), big data e análise de dados para que se mantenham atualizados, eficientes e seguros.

“Os veículos autônomos são uma das grandes ‘ondas’ que devemos ver nos próximos anos em termos de transportes no Brasil”, diz Luiz Carlos Néspoli, superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos). Nos países desenvolvidos, a disseminação desses veículos sem condutor já é uma realidade. Além da popularização do Tesla, modelo pioneiro no segmento de veículos sem motorista, o sistema de compartilhamento de carros Uber começou recentemente a operar caminhões autônomos em algumas rodovias dos Estados Unidos.

Embora funcione de maneira diferente, o transporte sobre trilhos do Brasil já conhece uma tecnologia driverless (sem condutor) há alguns anos. Desde a sua inauguração, em 2010, a linha 4-Amarela do metrô de São Paulo é operada remotamente por meio de um sistema driverless que evita falhas humanas e ajusta a quantidade de trens, o intervalo entre eles e a sua velocidade. As portas de plataformas, associadas a esse sistema, funcionam de maneira sincronizada com a chegada dos trens e aumentam a segurança do sistema, impedindo o acesso dos indivíduos aos trilhos.

Os funcionários também são treinados para operar os trens no modo manual em um simulador, que reproduz o traçado da via e das estações. O simulador, desenvolvido pela ViaQuatro em parceria com um fornecedor espanhol, permite à equipe atuar rapidamente em uma eventual falha no sistema automático. "Essa inovação não é visível ao passageiro, mas é essencial para que a Linha 4-Amarela opere com eficiência", diz Harald Zwetkoff, presidente da ViaQuatro, empresa que opera a linha.

 

Duas outras inovações baseadas em tecnologia fazem da Linha 4-Amarela uma experiência singular em termos de mobilidade. Uma é o cronômetro nas plataformas, único nos sistemas de transporte sobre trilhos no Brasil, com o qual o usuário sabe com precisão quanto tempo falta para o trem chegar (no caso das estações intermediárias) ou partir (nos terminais Butantã e Luz).

A outra são os monitores que informam a lotação dos próximos trens. A disponibilidade dessa informação, inédita no mundo, oferece ao usuário a opção de decidir se embarca na porta onde está ou se busca um carro mais vazio. O serviço é resultado de três anos de desenvolvimento de um software pelas equipes da ViaQuatro.

O sucesso dessas inovações pode ser medido pela opinião dos usuários. Levantamentos realizados semestralmente pelo Instituto Datafolha desde 2011 indicam que 90% dos entrevistados consideram “muito bons” ou “bons” os serviços da Linha 4-Amarela, que transporta cerca de 700 mil passageiros por dia.

 

Tecnologia sobre trilhos no Rio

 

O VLT Carioca, que interliga a região portuária do Rio de Janeiro ao centro financeiro da cidade e ao aeroporto Santos Dumont, é outro sistema de transporte sobre trilhos que usa a tecnologia para aumentar sua eficiência. Um exemplo é o seu modelo de alimentação elétrica, feito pelo solo (APS) em vez da fiação aérea, o que aumenta a segurança e preserva a paisagem urbana.

O sistema conta ainda com supercapacitores, que são como superbaterias embarcadas nos veículos. "Elas recuperam energia, por exemplo, nos momentos de frenagem, e permitem que uma composição chegue à próxima parada mesmo em caso de pane ou alagamento extremo", afirma o diretor de Operações do VLT Carioca, Paulo Ferreira.

Já para o fluxo de passageiros, o VLT Carioca usa câmeras de contagem que indicam entradas e saídas em cada parada e ajudam no controle de evasão. Mesmo sem catracas ou cobradores, algo pouco comum no transporte coletivo brasileiro, o VLT apresenta um índice de evasão abaixo de 10%, um número visto como positivo por Ferreira.

 

Mais recentemente, a concessionária lançou um aplicativo pelo qual os usuários do VLT Carioca podem acompanhar as saídas das composições, planejar tempo de viagem, ver atrações turísticas no entorno e tirar dúvidas sobre a operação.

 

Inovação sobre o asfalto

 

O controle das operações em vias públicas e rodovias também passa cada vez mais pelas noções de Inteligência Artificial e IoT. Além de ser a base da tecnologia dos carros autônomos, a IA também ajuda cada vez mais no monitoramento das estradas. Países como os Estados Unidos, cuja indústria de transportes por caminhões perde cerca de US$ 50 bilhões por ano em congestionamentos, aposta nessas inovações para ganhar eficiência em mobilidade.

Estruturada com base na IA, uma nova tecnologia, utilizada há alguns meses nas rodovias operadas pela CCR, faz a categorização de veículos em pistas automáticas de pedágio. Ela usa um sistema cognitivo que reconhece os padrões de comportamento dos veículos por meio de informações de sensores e outros dispositivos.

"Esses equipamentos detectam o veículo, identificam seu tipo e a quantidade de eixos, realizam a leitura do tag que está instalado e validam as informações para autorizar a passagem. Tudo isso precisa acontecer de forma precisa e segura em questão de segundos", afirma Cristiane Gomes, diretora-presidente da CCR EngelogTec, centro de competências de tecnologia do grupo, que desenvolveu a novidade.

Esse sistema aprimorou o processamento de informações de mais de 1,5 milhão de passagens de veículos que utilizam as pistas automáticas de pedágio por dia, evitando que o motorista utilize a tag de uma categoria diferente do carro que está conduzindo. Como resultado, os erros de classificação na cobrança dos veículos caíram de cerca de 6% (o equivalente a mais de 100 mil passagens por dia) para quase zero.

Já no trecho da BR-163 que liga o norte ao sul do Mato Grosso do Sul, a concessionária CCR MSVia usa a IoT no sensoriamento de equipamentos como painéis de mensagem, contadores de tráfego, câmeras da rodovia e outros, que são integrados e controlados de forma centralizada no CCO (Centro de Controle Operacional). A tecnologia permite o gerenciamento remoto de toda a rodovia, levando a uma prestação de serviço mais ágil e eficiente.

 

 

Desafios para o futuro

 

Com os avanços tecnológicos ocorrendo cada vez mais rapidamente, e levando a conquistas que antes pareciam inalcançáveis, um dos desafios dos sistemas de mobilidade urbana do Brasil é se manter atualizado com o que acontece no exterior.

Além dos carros autônomos, que devem se tornar uma realidade por aqui dentro de alguns anos, Luiz Carlos Néspoli, da ANTP, vê o maior uso da energia renovável como outra mudança importante nos sistemas de mobilidade do Brasil para um futuro próximo.

Para ele, a bateria elétrica merece atenção especial. Ela já está sendo empregada aos poucos no Brasil: Campinas (SP) já tem 15 ônibus movidos a bateria elétrica fazendo o transporte de passageiros. Além de ambientalmente sustentáveis, esses modelos emitem muito menos ruído que os ônibus convencionais.

“A expectativa é de que no futuro haja uma ‘cesta’ de combustíveis menos poluentes em toda a frota nacional, suprimindo o diesel”, diz Néspoli.

Em termos de transporte sobre trilhos, o superintendente da ANTP ainda espera a disseminação no Brasil das tecnologias de levitação magnética, que já são usadas em outros países, como Alemanha, China e Japão, em trens rápidos de longa distância. No Japão, um trem operado com essa tecnologia chegou a atingir 603 km/h em 2015.

No Brasil, a Coppe/UFRJ desenvolveu uma tecnologia de trem de levitação magnética chamada Maglev-Cobra, que já está sendo operada em fase de testes em um trecho de 200 metros dentro do campus da Ilha do Fundão, no Rio. A tecnologia ainda não está certificada para uso comercial, mas a coordenação da Coppe acredita que seja viável construir uma primeira linha usando esse sistema em um prazo de três anos após a certificação.

Fonte: WRB NOTICIAS

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