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A Apple a US$ 1 trilhão

Publicado dia 03/08/2018 às 13h48min
Por que a empresa fundada por Steve Jobs é diferente das demais no Vale do Silício

Um painel eletrônico mostra a marca da maçã na parte externa da Nasdaq em Nova York, nos EUA, após o fechamento das negociações do dia. A Apple foi a primeira empresa privada a atingir a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado (Foto: Mike Segar/Reuters)

 

 

Google e Facebook sustentam seus negócios com publicidade, mantêm monopólio virtual sobre os respectivos mercados, desdenham produtores de conteúdo, relegados a segundo plano nas cadeias de valor que comandam. São consideradas as maiores gigantes do Vale do Silício, de influência política temida, alvo de investigações das autoridades por permitir interferência indevida em eleições e na privacidade dos cidadãos.

A Apple não.

Que distingue a empresa de Cupertino, a primeira na história a superar a marca de US$ 1 trilhão, dos mastodontes de Mountain View e Menlo Park? Será apenas o tempo, já que a Apple abriu seu capital em 1980, Google em 2004, Facebook em 2012? Ou há outra diferença a pôr a empresa da maçã na dianteira?

Na origem, as três emanam do mesmo ethos hacker do Vale do Silício, onde a contracultura dos anos 1960 se misturou à tecnologia digital e ao capital de risco para criar um ambiente inovador comparável à Florença renascentista (imagem disseminada pelo próprio Jobs).

Como outros negócios inovadores de sucesso, nenhuma delas inventou propriamente as tecnologias que as projetaram – havia computadores antes do Mac, sistemas de busca antes do Google e redes sociais antes do Facebook. Todas as três souberam foi transformar ideias fascinantes em sucessos de mercado.

O que torna a Apple diferente das demais – e mais valiosa que todas elas – pode ser resumido em duas palavras: Steve Jobs. Sua visão original e obsessiva persiste mesmo sete anos depois da morte prematura, sob a liderança de Tim Cook. Jobs concebeu um negócio na intersecção da tecnologia com as artes, em que a engenharia está a serviço do design, máquina e técnica se curvam ao ser humano – e não o contrário.

Não é uma coincidência que a Apple apoie bloqueadores de anúncios ou que tenha, sozinha, resistido à tentativa do FBI para implantar mecanismos de vigilância no iPhone em 2016. Nem que seja reticente a aderir às fantasias transumanas que veem um futuro com computadores superando o intelecto humano, conhecido por “singularidade” (e, por isso mesmo, esteja atrasada no mercado de sistemas de inteligência artificial).

 

A Apple pôs homens, mulheres e crianças de carne e osso no centro de seu modelo de negócio. Em vez de considerar o conteúdo apenas um chamariz para a audiência, em vez de chamar pessoas de meras “pupilas” a ver anúncios, em vez de idealizar os algoritmos como resposta a questões de ordem política e social, sempre deu importância a artistas, jornalistas, músicos e criadores em geral.

“É uma dissidente do credo libertário (do Vale)”, escreve Jonathan Taplin em Move Fast and Break Things (Ande rápdo, quebre coisas), crítica demollidora ao ethos do Vale do Silício. “Tanto Steve Jobs quanto Tim Cook foram aliados da comunidade do conteúdo, e sua posição contra o modelo de marketing de vigilância que está na essência do negócio de Google e Facebook os colocou em oposição direta contra as plataformas sociais e de busca.”

Foi também por colocar o ser humano no centro que a Apple, desde o início, adotou uma visão integrada para seus produtos. Em sua visão, Jobs jamais segmentou o mercado em software, hardware e serviços como fazem analistas, consultorias ou a imprensa especializada. Entregava (e até hoje a Apple entrega) tudo junto.

Foi uma visão que se revelou desastrada nos anos 1980, quando perdeu o protagonismo da era do computador pessoal para aquele que soube ver o valor de vender apenas software, Bill Gates.

Mas se mostrou certeira quando a tecnologia pemitiu lançar computadores bem menores, resultando no lançamento do iPhone, do iPad (e, depois de sua morte, do Apple Watch).

A liderança na nova era de dispositivos móveis resgatou a empresa do limbo financeiro e, num período de menos de dez anos, transformou a Apple na empresa mais valiosa do mundo. A trajetória da companhia reúne os quatro tipos distintos de genialidade de Jobs:

 

  • Técnica, de quem foi pioneiro ao lançar o primeiro microcomputador, a primeira interface gráfica acionada por mouse, o primeiro smartphone com tela de toque, o primeiro tablet ou o primeiro smartwatch.
  • Empresarial, de quem foi capaz de transformar fracassos em sucessos e, quando todos o julgavam um “has been”, reerguer o império de que havia saído escorraçado.
  • Estética, de quem se preocupava com o design perfeito, desde o desenho das fontes na tela, era intolerante om a mediocridade e tinha como ídolo o homem renascentista por excelência, Leonardo da Vinci.
  • Humana, de quem tinnha uma personalidade mercurial, temperamental, cruel e idiossincrática e tentou dobrar toda realidade a seus desígnios, até mesmo diante do câncer.

 

 

Jobs sempre quis o que parecia impossível. Sua opinião era tão temida que o chamavam de “campo de distorção da realidade”. Seu objetivo ao trazer o computador para a vida de todos era dar uma “dentada no universo”. Difícil comprovar que a realidade ou o universo tenham se submetido a sua visão. Quanto ao mercado acionário, os números de ontem não parecem deixar muita dúvida…

Fonte: g1 brasil

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